05 setembro, 2009

O famoso papel de Chiclet

         Ao longo destes últimos anos tem sido divulgada uma enorme quantidade de informação acerca da importância da preservação do meio ambiente. Cada vez mais blogs, revistas, jornais, livros escolares, panfletos e associações apelam ao envolvimento nesta problemática. “Poluição”, “aquecimento global”, “desenvolvimento sustentável” e “reciclagem” são algumas das palavras-chave.
          Paralelamente, cientistas associados a empresas investem no desenvolvimento de novos produtos, novas técnicas, novas formas de obter energia, etc.
          Neste cenário, contacto imediatamente com o choque entre esta realidade e aquela que vivencio diariamente num meio que supunha activo e consciente. Milhares de jovens informados, que contactaram com a problemática ambiental inúmeras vezes ao longo do percurso escolar e que se mostram capazes de a defender convincentemente em qualquer palestra subordinada ao tema, demonstram que informação não é sinónimo de acção. Apesar de conscientes, esses jovens não assumem a preservação da Natureza como uma responsabilidade sua nem como uma preocupação que traz benefícios pessoais a curto e a longo prazo essenciais para a sua qualidade de vida.
         Tudo começa com um papel de Chiclet, o famoso que vejo cair vezes sem conta das mãos despreocupadas, falsamente idealistas, falsamente cheias de vontade de mudar o mundo, rogando grandes feitos, grandes conquistas, e descuidando as mais simples, mas importantes, do dia-a-dia.
         Aos poucos, o papel de Chiclet, leve, “inofensivo”, dá lugar a um lenço, a uma lata de refrigerante, a uma garrafa, etc., etc., e damos por nós a viver em cidades onde as beiras dos passeios se tornam autênticos depósitos de lixo. Não seria mais agradável sair à rua e olhar uma cidade limpa? Não é isso que tantas vezes gabamos quando viajamos para o estrangeiro?
         É importante eliminar o problema desde a raiz. É importante eliminar todos os papéis de Chiclet do chão, todas as latas, todos os lenços, todo o lixo que seria facilmente removido das nossas ruas através de um gesto tão simples como guardá-lo no bolso, na saca, na carteira, ou caminhar até ao contentor mais próximo.
       
         Deitar lixo para o chão tornou-se já, em certos meios, uma prática aceitável e, ainda mais preocupante, um gesto inconsciente.
         Não são precisas grandes conquistas, sugiro a todos os leitores esta bem simples: deixar de deitar lixo para o chão e fomentar junto dos familiares, amigos, conhecidos, este gesto tão ridiculamente simples.

Sem comentários:

Enviar um comentário