Ao longo destes últimos anos tem sido divulgada uma enorme quantidade de informação acerca da importância da preservação do meio ambiente. Cada vez mais blogs, revistas, jornais, livros escolares, panfletos e associações apelam ao envolvimento nesta problemática. “Poluição”, “aquecimento global”, “desenvolvimento sustentável” e “reciclagem” são algumas das palavras-chave.
Paralelamente, cientistas associados a empresas investem no desenvolvimento de novos produtos, novas técnicas, novas formas de obter energia, etc.
Neste cenário, contacto imediatamente com o choque entre esta realidade e aquela que vivencio diariamente num meio que supunha activo e consciente. Milhares de jovens informados, que contactaram com a problemática ambiental inúmeras vezes ao longo do percurso escolar e que se mostram capazes de a defender convincentemente em qualquer palestra subordinada ao tema, demonstram que informação não é sinónimo de acção. Apesar de conscientes, esses jovens não assumem a preservação da Natureza como uma responsabilidade sua nem como uma preocupação que traz benefícios pessoais a curto e a longo prazo essenciais para a sua qualidade de vida.
Tudo começa com um papel de Chiclet, o famoso que vejo cair vezes sem conta das mãos despreocupadas, falsamente idealistas, falsamente cheias de vontade de mudar o mundo, rogando grandes feitos, grandes conquistas, e descuidando as mais simples, mas importantes, do dia-a-dia.
Aos poucos, o papel de Chiclet, leve, “inofensivo”, dá lugar a um lenço, a uma lata de refrigerante, a uma garrafa, etc., etc., e damos por nós a viver em cidades onde as beiras dos passeios se tornam autênticos depósitos de lixo. Não seria mais agradável sair à rua e olhar uma cidade limpa? Não é isso que tantas vezes gabamos quando viajamos para o estrangeiro?
É importante eliminar o problema desde a raiz. É importante eliminar todos os papéis de Chiclet do chão, todas as latas, todos os lenços, todo o lixo que seria facilmente removido das nossas ruas através de um gesto tão simples como guardá-lo no bolso, na saca, na carteira, ou caminhar até ao contentor mais próximo.
Deitar lixo para o chão tornou-se já, em certos meios, uma prática aceitável e, ainda mais preocupante, um gesto inconsciente.
Não são precisas grandes conquistas, sugiro a todos os leitores esta bem simples: deixar de deitar lixo para o chão e fomentar junto dos familiares, amigos, conhecidos, este gesto tão ridiculamente simples.
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