Ser indiferente é não existir para além de nós mesmos, é ser o nada que flutua num ruído seco e mudo que não magoa, não entristece, não rasga, não mata, não sorri, não ensurdece.
Ser indiferente é ser objecto resignado ao silêncio inexistente do seu vazio fictício, transparente; é saber as fronteiras de si mesmo e não as sentir, é ter sonhos e não os possuir, é durar na ignorância conformista de não saber viver (ou de não nos saberem ver?).
Ser indiferente é ser memória da própria lembrança e nunca lembrança de outras memórias, é existir sem ser, ou pior, ser e não existir.
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